
1 – O que você tem estudado na música?
Eu não estudo nesses sentidos formalísticos, nunca estudei. Pra mim, a música sempre foi uma fuga desse universo de seriedade. Ou dessa idéia q você vai chegar a algum lugar porque você estudou. Eu fiz pra fugir do mundo, ou de causa e conseqüência, da responsabilidade. É o universo do entretenimento. E até hoje eu consumo música assim! Não é pra obter alguma coisa que eu vá usar depois na minha música. Eu ouço pra me divertir, pra me entreter.
2- Como você escolheu os seus repertórios e os músicos para o seu projeto solo?
O repertório foram músicas que eu fiz enquanto os Hermanos estavam parados. E eu fiz estando em casa mesmo. Os músicos que tocaram no meu disco, eu escolhi pensando em como ia arranjar a música e pensava nas pessoas e ia pra lá gravar com eles. Eu também quis muito no disco promover um clima diferente. Algumas músicas ensaiar à exaustão e outras músicas gravar no primeiro take. Para ter um apanhado de tipos de registros diferentes. O grupo que me acompanha na turnê, que gravou quatro ou cinco músicas no disco, chama Hurtmold e é de São Paulo. Eles já tocaram com a gente (Los Hermanos).
3 – E a música que fala sobre Copacabana, como foi inspirada?
Eu morei no Bairro Peixoto em Copacabana e ali existem muitos velhinhos. A gente ajuda os velhinhos na rua, não é? Parece piada, brincadeira. As pessoas ficam me vendo e achando que é a idealização do mundo idílico, mas não é. Tem oitocentos zilhões de velhinhos que moram em Copacabana e não dá pra não ajudar velhinho todo dia! E eles conversam, são gente fina. Eu carregava bolo, ajudava a carregar as coisas, atravessar a rua também, as ruas são movimentadas e eles ficam meio perdidos. Tem muito velhinho de roupão, é demais, que fazem hidroginástica.
(Piti e Alice)
(Foto Juliana Frontin)
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