quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Entrevista com Autoramas


A banda se iniciou em 1997, com a seguinte formação: Simone Dash no baixo e vocal, Nervoso na bateria (até 1998, com a entrada de Bacalhau, que está até hoje) e Gabriel Thomaz na guitarra e vocal. O primeiro disco foi gravado em 2000 por Carlinhos em São Paulo, chamado "Stress, Depressão e Síndrome do Pânico".
Uma característica dos Autoramas é ter o pedal de distorção ligado no baixo e agora, na versão acústica que eles estão ensaiando, o baixo não tem distorção. A versão acústica surgiu depois da entrada da baixista e vocalista Flávia Couri, que também participa dos arranjos dessas novas músicas.
As influências musicais da banda são muitas, vão da Jovem Guarda, passando por Rock anos 60, New Wave, Devo, B-52 até rockabilly. Para Gabriel são também o punk rock e o grunge.

Afirmamos que eles são referência para bandas que estão começando, e eles disseram...
"Não nos achamos referência para nenhuma banda que está começando, pois essas querem como referência bandas que lançam o primeiro disco e já fazem sucesso. Não somos esse tipo de banda. Nós firmamos em uma carreira que já dura anos e já vimos diversas bandas estourarem e depois sumirem. Estamos aí tocando o tempo inteiro. Mas a referência da galera é sempre fazer as coisas da maneira mais fácil e mais tranquila, tendo pessoas que cuidem da banda por eles. Se alguém vai e puxa o tapete da banda e a banda acaba, ninguém sabe o porquê disso. Já sabemos tudo como é que acontece e tomamos conta de todas as coisas.".

E sobre a música deles tocar no rádio...
"Antigamente precisava-se do rádio para conhecer as bandas. Hoje em dia só precisa da sua própria vontade para conhecer as coisas, porque tem onde achar. Na internet você acha tudo. A internet agora está acessível para todo mundo. O cara que gosta consegue achar. Não é mais "não tem uma rádio, não consegue ouvir". É só ir na internet e colocar o nome da banda que você gostou, que você acha alguma coisa com certeza. Agora quem se interessa por música tem a internet. Não existem nem mais loja de discos!".

Sobre o público, foi mais fácil ganhar público no exterior ou no Brasil?
"No exterior é diferente, porque no Brasil já temos um público de dez anos de carreira. Tocamos em todos os estados do país e na América do Sul.
Já na Europa, é a terceira vez que fomos e estamos começando a mostrar nosso trabalho. E foi pela internet que conseguimos fazer toda a turnê e contactar as pessoas. Foram vinte e cinco shows no total.
Para as bandas do mundo inteiro, que não são americanas e nem européias, agora ficou sem fronteiras. Porque não era só pegar um avião e ir lá tocar. Tinha que armar a turnê inteira, tinha que fazer a promoção. Antes era por telefone e carta. Era muito caro mandar o material para fora."

Discos:
"São quatro cd´s: "Stress, Drepressão e Síndrome do Pânico"; " A Vida é Real" ; "Nada Pode Parar os Autoramas" e "Teletransporte". Tem também os compactos de sete polegadas e singles. Tem LP´s de participações em outras coletâneas. Estamos preparando um acústico no momento, que já teve um pré- lançamento em São Paulo para testar. Mas o próximo show no Brasil deve ser em março.".

Perguntamos em que países eles foram nessa última turnê pela Europa em novembro do ano passado, e se o fato das letras serem e português mudou em algo para o público de lá.
"No final do ano passado passamos por vários países, como Portugal, Holanda, França, Bélgica, Inglaterra, Espanha e Alemanha.
A primeira expectativa era dar muita risada e se divertir. Tem alguns países que você fala "oi" e a galera já dá risadas, como na Alemanha. E na Espanha, as pessoas são mais parecidas com os brasileiros. Na Europa, não importa a língua que você canta, português ou japonês. Eles ficam cuirosos para saber o que é; a língua diferente é algo que desperta curiosidade e interesse, um charme pra banda.
Saímos tocando apenas, sem a pretensão de entrar nas paradas de sucesso, isso não nos importa.".

E sobre abrir o show para o Man or Astro-man em 1999...
"O pessoal do Man or Astro-man ficou amigo nosso ali no camarim e a gente bateu o maior papo. Eles foram os primeiros a dar contatos gringos para gente. Ele vieram e perguntaram: "Quem que lança os discos de vocês lá fora?", e a gente falou, cara a gente não tem disco lançado nem no Brasil. E eles: "É mesmo, caramba! Poxa, mas o som de vocês é tão legal! Vocês já deveriam ter vários discos...". E aí ele tirou uma agenda eletrônica super moderna e passou os contatos dele. Eu comprei o vinil deles na banquinha e guardei o papel com os contatos como se fosse um encarte. Nessa época também não tinha internet. E o computador sem internet não é nada! Eu comprei um computador pra ter internet. Imagina!".

Eles estão muitos satisfeitos com a banda hoje e se sentem no caminho certo.
A baixista Flavia Couri entrou em fevereiro de 2008 na banda para gravar os Beatles, que foi um ótimo caminho de entrada pois é a sua banda preferida. Agora ela já pegou o repertório e canta algumas músicas. Depois da entrada dela, eles passaram a tocar algumas músicas que antes não tocavam. Nessa nova versão acústica, a Flavia também faz arranjos com a banda.
A outra banda de Gabriel Thomaz, com Zé Ovo e Bacalhau (outro); Little Quail and The Mad Birds (que abriu para a banda do Mark Ramone e Sex Pistols) vai se reencontrar e tocar nesse domingo, dia primeiro de fevereiro em São Paulo.

Como foi o Little Quail abrir pros Ramones...
"O Little Quail abriu pro Ramones no Circo, foi demais! Até hoje eu tenho vídeo do Joey Ramone nadando na piscina do Sherarton, onde ele ficou hospedado.
Tem gente que não acredita!
Lá na Europa eu falei: "Minha banda abriu para os Ramones.", e a galera ohhhhh...".

O estúdio Tunel, onde foi realizada a entrevista,fica na Rua Figueiredo Magalhães 870 - loja 16A. Tel 22352133.
(Piti e Juliana Frontin)

1 comentários:

  1. Maneira a entrevista. Espero q continuem assim como são.

    Rodrigo

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